Sociedade com problemas com capitalismo sócio econômicos

Uma exemplar e, sob vários aspectos, brilhante e original
análise da sociedade contemporânea é levada a cabo por Bourdieu
no seu talvez mais conhecido trabalho, o Distinction. Embora o
livro seja um estudo teórico-empírico sobre a estrutura de classes
da sociedade contemporânea francesa e, muito especialmente, do
padrão de dominação simbólica que a possibilita, ele também pode
ser compreendido como uma teoria geral do mecanismo peculiar
assumido pela dominação de classes no capitalismo maduro com o valor salario minimo 2020.
Dois aspectos parecem-me fundamentais para a compreensão
da originalidade da reflexão de Bourdieu nesse ponto, para além da
já discutida centralidade da categoria do habitus no seu ponto de
partida epistemológico. Esses dois aspectos são, primeiro, a nova.

forma de um capital cultural
relativamente independente do capital econômico e dividindo com
este o potencial de estruturar a sociedade como um todo e
determinar o peso relativo das classes sociais e suas frações em luta
por recursos escassos. Assim, na leitura de Bourdieu, precisamente
o elemento percebido por todos como o aspecto mais visível e
relevante do processo de democratização das sociedades avançadas
depois da Segunda Guerra Mundial, apresenta a contraface nada
inocente de, através de seu modo de operação específico ao
naturalizar relações sociais contingentes, estabelecer um novo
padrão, ainda mais sutil e sofisticado que os anteriores, de
dominação simbólica mascaradora de relações de desigualdade.
Nesse caminho, Bourdieu procura constituir o que ele chama
de “economia dos bens culturais”, cuja lógica específica ele almeja
descobrir. Para esse desiderato, faz-se necessário primeiramente
deslocar a ênfase da cultura do seu conteúdo normativo que
impregna o sentido cotidiano do termo, em favor de sua utilização
pragmática, ou seja, como prática da vida cotidiana, envolvendo
também nossas escolhas práticas mais banais e do dia a dia, como
os gostos elementares e os sabores de comida. É aqui que entra em
cena o segundo aspecto central da sua argumentação que
mencionamos anteriormente, ou seja, a temática do “gosto”, ou
melhor, da competência estética, como elemento generativo das distinções sociais no capitalismo avançado.

hierarquia entre as classes a partir do gosto fundamenta-se na
oposição entre a alma – como reino da interioridade e, portanto, da
profundidade e do sagrado – e o corpo. A alma é o locus do
burguês, em oposição ao corpo como locus do trabalhador e do
homem vulgar. O leitor pode observar, desde já, que Bourdieu, na
verdade, transpõe para a luta de classes, embora de forma
inarticulada e, portanto, incapaz de produzir seus efeitos de
esclarecimento teórico, o aspecto essencial da genealogia valorativa
desenvolvida por Taylor, como mostramos no capítulo anterior.
O processo primário de introjeção naturalizada desse critério
legitimador de desigualdades se dá a partir da escola e da família,
não só em relação ao que se ensina explicitamente o reajute do salario minimo 2020, mas antes de
tudo a partir das práticas implícitas que essas instituições
demandam.

A estética da classe trabalhadora, ao
subordinar a forma à função, seria o exemplo típico dessa noção de
barbárie. A atitude estetizante, ao contrário, rejeita a subordinação
da arte às funções da vida. O que transforma essa atitude estética
numa visão de mundo e num estilo de vida é que ela é caracterizada
pela suspensão ou remoção da necessidade econômica, e, portanto,
pela distinção objetiva e subjetiva em relação aos grupos sociais sujeitos a esses determinismos.

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