Casamento feliz vivendo motivado com a familia

Casamento, hoje? “Até que a vida os separe”, responde o psicanalista. As estatísticas não o
deixam mentir. Desde a década de 1980, os números de casamentos vêm declinando e o de divórcios,
aumentando. Quem contabiliza é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Golpes e mais
golpes fustigam a família que, menos sensível às sanções religiosas, menos atenta às tradições para nova tabela INSS 2019, já é
chamada por cientistas sociais, na Europa, de “família pós-familial”. Segundo estudiosos, ela só continua
a existir na imaginação ou na memória.
A culpa? É do casamento que não resistiu às mudanças. A revolução tecnológica permitiu a
emancipação econômica dos indivíduos, desobrigando-os da vida familiar, até recentemente uma
proteção contra as ameaças do mundo lá fora. A Amélia — que se encarregava de lavar e passar para o
marido — foi substituída pelo micro-ondas. A pílula e a emancipação da mulher alteraram
definitivamente as relações dentro da família. Como se não bastasse, envolvimentos extraconjugais
fascinam uns e outros, enquanto cresce na sociedade industrializada o número de pessoas que querem
viver sozinhas. A autofelicidade vem na frente dos cuidados entre os cônjuges e daqueles com os
membros da família. Hoje, sou “eu”, depois o “tu” e, bem mais longe, “eles”. Enfim, a modernidade
parece querer dispensar o casamento e a família de sua função histórica básica com o INSS tabela 2019 garantir nossa
sobrevivência.
Se posso acrescentar uma modesta ideia à lista concebida por especialistas do mundo todo,
diria que o casamento está morrendo porque as pessoas veem televisão demais e conversam de menos.

Essa “arte de ser feliz junto”, como já disse um filósofo sobre a conversação, vem sendo ameaçada pelo
lixo que a telinha joga para dentro de nossas casas à noite. Todos sabemos que o prazer é coisa
misteriosa e que aquele que extraímos de uma boa conversa se deve a bem pouca coisa: um clima de
conivência, certa confissão inesperada, um sorriso velado entre uma e outra frase. Parece pouco, mas é
muito. Que maravilha deixar-se levar pela vagabundagem da palavra, saindo de si e se aventurando na
terra do outro, pondo um fim à discussão com um beijo. E o que dizer da conversa que fica em segundo
plano, feita de tudo o que não ousamos dizer, de nossos medos, de nossas crenças e esperanças. A
conversação não deve ser só ócio e abandono, mas uma porta para a verdade, a felicidade, a amizade e a
sociabilidade. Um espaço de ironia e seriedade, riso e gravidade, cólera e medida, Não aquilo em que se
transformou: algo de útil e eficaz. Uma boa conversa permite aproximação, incentiva compromisso,
encontra um vocabulário comum. Nela, haverá sempre um tempo para falar e outro para escutar. Afinal,
conversar é também saber calar. Pois não se trata de ter a última palavra, mas de construir junto essa
coisa preciosa e cada vez mais rara: o momento compartilhado, Enfim sós”? Sim e, de preferência, para conversar.

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