Articulações politica para a economia nacional

Para que esse contexto adquira força normativa, ou seja, possa
ser percebido como obrigatório e vinculante pelas pessoas que
vivem sob sua égide, é necessária a revolução histórica que permite
renomear as paixões em sentimentos. Em vez de conceber a
natureza interna como um campo de pulsões incontroláveis e
perigosas – o que equivale à denominação negativa das paixões –,
descobre-se, ao contrário, um campo fundamental que passa a ser
percebido como a fusão do sensual e sentimental com cursos gratuitos Senac em que o aspecto sensual e sentimental passa a ter a proeminência.
A experiência e a expressão das “profundezas interiores” passa a
ter também um conteúdo normativo. A novidade radical em jogo
aqui é que a compreensão do que é certo ou errado passa a ser percebida não apenas como um assunto que requer reflexão
distanciada e cálculo instrumental, mas também, e até
especialmente, como algo ancorado nos nossos sentimentos.

Essa realidade inexiste antes de sua articulação e não devemos
esperar por modelos externos para ela. A noção de símbolo do
romantismo exprime, precisamente, essa expressão do único e
indizível. Em vez da mimésis ou da alegoria, o símbolo significa
tanto a perfeita interpenetração de forma e conteúdo, como também
a criação de um sentido que inexistia antes da sua manifestação
simbólica. É isso que torna o poder de autoarticulação expressiva
tão importante e revolucionário. O acesso às profundezas do self só
é possível ao sujeito dotado de poderes expressivos. Apesar das
duas formas de interioridade implicarem ambas uma radicalização
do subjetivismo, elas são também rivais e se excluem mutuamente,
enquanto tipos puros, apesar de a regra empírica ser o compromisso
e a interpenetração. Exercer uma forma de maneira consequente é abdicar da outra. O sujeito moderno que reconhece as duas fontes está, portanto, constitutivamente em tensão.

Por outro lado, no entanto, parece-me que seu tratamento do
tema do reconhecimento secundariza a dimensão do potencial
legitimador das distinções sociais implícitas na temática do
reconhecimento. Isso não significa, obviamente, dizer que Taylor
não perceba o potencial discriminador dessas distinções, o que fica
sobejamente claro na sua análise do multiculturalismo. Mas,
precisamente, sua ênfase no tema da autenticidade significa
também sua aceitação, pelo menos tendencial, da ideologia da igualdade de oportunidades de curso cabelereiro Senac, que comanda o outro polo do tema do reconhecimento, que é o conjunto de questões que têm a ver com a
dignidade. Nesse campo, precisamente talvez o mais significativo
para a questão da naturalização da desigualdade que assola a economia.

O impacto mais marcante da singular e brilhante sociologia de
Pierre Bourdieu sobre o leitor contemporâneo se deve, a meu ver,
ao desmascaramento sistemático da “ideologia da igualdade de
oportunidades” enquanto pedra angular do processo de dominação
simbólica típico das sociedades avançadas do capitalismo tardio.
Nesse desiderato, Bourdieu caminha praticamente sozinho, já que a
imensa maioria das perspectivas – e eu me refiro aqui
especialmente às perspectivas críticas e radicais – acerca da
sociedade contemporânea parte do pressuposto da superação
tendencial da luta de classes clássica do capitalismo.

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